O SONHO DO CAFEZINHO

Por Luciano Barelli Cezarette

Em 11/06/2019 às 18h08


 

O SONHO DO CAFEZINHO

Por Luciano Barelli Cezarette

Não dá pra desenhar, muito menos imaginar, a alegria do sonho realizado. O planejamento é feito, a estrada é longa, os tombos e chateações fazem parte do aprendizado. Dias cansados e sobrecarregados, mas é preciso ir a aula. Estudar, estudar e estudar. Parece não acabar. Será mesmo que estou no caminho certo? Tenho mesmo que passar por isso? Meus amigos estão curtindo o hoje, e eu? - E você mãe, e você pai, o que acha?

- Acho que tem que ir em frente. Você consegue!

Pois é! É igual pra todos. Mas chegou. Chegou o grande dia de encarar a fera, O-A-B, mesmo antes do tempo, pra ver se pega “ela” de surpresa, pois talvez pense que vou lá só no 10º período e eu ainda estou no 9º. Vai que ela dá mole! Mas não é bem assim.

De novo, estudar, estudar e estudar. Mas e a minha diversão? E minhas férias? E a saidinha nos finais de semana? Estudar, estudar e estudar.

O sonho se realizou! Passei, passei e passei! Ufa! Que peso tirado do lombo. “Ela” deu mole? Que nada. Tava é duríssima. Dias de angústia esperando o resultado. E os pais babando, como se eles tivessem feito a prova. Falam “pra todo mundo”. Não cambem em si. O orgulho explodindo. Minha filha passou. Eu já sabia! Ela é muito estudiosa.

Agora posso sonhar mais tranquila, e posso vislumbrar, quem sabe, o meu escritório de advocacia ou a aprovação em um concurso público, enfim, ver a concretização do sonho. E poder tomar um cafezinho em minha sala.

Ah. O cafezinho. Ele também foi sonhado com a mesma intensidade, a mesma dedicação, o mesmo ou mais sofrimento. E não dá pra menosprezar aqueles que não cursaram uma universidade. Pois a emoção de realizar o sonho é que importa, ela é maior do que o caminho, que agora fica apagado pela emoção da chegada. Na faculdade da roça o pai e a mãe sofrem juntos. Vêem o filho cavando os buracos para colocar as mudas. Torcem juntos para que chova na hora certa. Vai junto ao banco financiar o sonho. Tendo a certeza que irá cumprir o compromisso e sobrar um pouquinho.

Os anos passam, o café vai crescendo, noites sem dormir preocupado com a praga que pode chegar. Levantando de madrugada pra dar conta dos afazeres do dia. Levando a “malmita” que a mãe fez antes mesmo do sol nascer. E com todo amor, pois é feito com o mesmo empenho e alegria pra ver o seu filho feliz. Fazendo com simplicidade a parte que lhe cabe no sonho. Pois na sua simplicidade ficou com a matéria “do lar”.

Os dias passam e o sonho vai crescendo, sem passar pela OAB, mas passando pela prova da vida, a prova da sobrevivência. Sonhando em ver sua produção ser aprovada, e com qualidade, ser apreciada pelos Doutores da Lei. Chegou o grande dia. Festa na fazenda. Dezenas de trabalhadores sorrindo, conversando e colhendo o café que tanto foi sonhado.

Os pais não cabem em si. “Nosso filho é um herói!” quanto orgulho. Que alegria. “Eu já sabia”. Chegou a hora de jogar o CAPELO pro alto, ou melhor, o CHAPÉU DE PALHA. Qual sonho é o maior? Certamente de quem sonhou! Pois só quem luta sabe o sabor da vitória. Só quem luta sabe na alma que todos são iguais e que o sol nasceu para todos, e que devemos chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram. Não deixe de sonhar!

 

28 de maio de 2019.